domingo, 13 de março de 2011

Memória analógica VIII

Foi num churrasco em Pedra de Guaratiba, anos 70, com a inestimável colaboração de um fotógrafo desconhecido. À esquerda, o mineiro Márcio Borges, poeta e destacado letrista do histórico Clube da Esquina de BH. O Marcinho – como é mais conhecido – escreveria anos depois a saga de sua turma nas bem traçadas páginas de Os sonhos não envelhecem, editado pela Geração Editorial. No livro, deixou registrado tim tim por tim tim como tudo aconteceu para ele, Milton Nascimento, o irmão Lô Borges, Fernando Brandt e outros tantos de igual talento. Anos mais tarde, o Marcinho se tornaria meu compadre de verdade, quando fui escolhido por ele e Claudinha para ser o padrinho da pequena Isabel, hoje uma linda mulher. Entre nós, na foto, aparece o bem humorado cantor Roberto Ribeiro, notável como puxador de samba do Império Serrano, uma das escolas de Madureira (Serrinha), onde o campista Demerval Maciel (seu verdadeiro nome) foi viver quando chegou ao Rio. O Roberto foi escolhido duas vezes como o melhor cantor da avenida e frequentou as paradas de sucessos com sambas que se tornariam clássicos: Todo menino é um rei, Acreditar (de Dona Ivone Lara), Liberdade. Passados mais de 30 anos, o Marcinho não está de braços cruzados: continua ativo como poeta, compositor e escritor e pode ser encontrado em Mauá (RJ) ou Belo Horizonte, onde mantem parte do guarda roupa. O Roberto faleceu em 1996 atropelado por um carro numa estrada em Jacarepaguá. Estava deprimido e cego de um olho (esqueceu as lentes de contato, que criaram fungos), desde a manhã em que o encontrei em uma calçada de Ipanema, com a mulher, saindo de um médico oculista. Tinha acabado de receber o diagnóstico e estava em estado de choque. Segurando os meus ombros com as duas mãos, disse em prantos: “Toninho, estou cego, acabei de saber disso”. Segurei-o também pelos braços e expressei assustado a minha solidariedade: “Roberto, fique firme, não se deixe abater...”. Ele estava inconsolável e seguiu para a praça General Osório amparado pela mulher. Prefiro a cena do churrasco. Toninho Vaz

9 comentários:

FELIPE CERQUIZE disse...

Fala, Toninho! Você já havia mandado essa foto para o Cardiem. O que eu não sabia era dos detalhes do fim de vida do Roberto Ribeiro. Uma tristeza.

Você já pensou em fazer uma autobiografia? Acho que tem muito pano para essa manga.

Grande abraço!

Toninho Vaz disse...

Salve, Felipe! Ainda não pensei em autobiografia, mas já me foi sugerido algo como uma Memória, com cara de web, tipo essas memórias analógicas. Quem sabe? Vamos escrevendo para ver o que vai dar.

grande abraço

Carolices disse...

Memória com informação. Muito interessante, como sempre. Quero mais. (Já li as 8 memórias analógicas)

vinícius alves disse...

olhaí nossos primeiros leitores, Toninho. cê sabe de muita coisa, mano véio. vamos dividir com o público. bernúncia editora neles, os textos e os leitores.

abração do vini

Toninho Vaz disse...

O Vini é um editor de Floripa que já se manifestou querendo editar estas minhas memórias analógicas. Qualquer dia desses a gente resolve fazer algo... Está ficando maduro.

Toninho Vaz disse...

Adélia Lopes, jornalista, escreveu por email (ela não consegue postar o comentário direto no blog):

"Toninho, cada vez mais me emociono com suas memórias. Que vida rica!!!"

Produção & Locução disse...

Toninho, eu morei lá entre 66 e 68, vc. pode me enviar a data do lançamento do seu livro para rafaelc98@gmail.com. Gostaria de estar presente e adquirir a sua obra. parabéns.
Rafael Carvalho - 78214705

Produção & Locução disse...

Toninho, eu morei lá entre 66 e 68, vc. pode me enviar a data do lançamento do seu livro para rafaelc98@gmail.com. Gostaria de estar presente e adquirir a sua obra. parabéns.
Rafael Carvalho - 78214705

Mariana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.