sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Memória analógica IV

Nos três anos em que morei em Nova York, de 1996 a 1998, algumas vezes fui privilegiado ao me aproximar dos ambientes de boa música (saravá, Roberto Muggiati) e de personagens talentosos do show bussiness americano. Mas, nem sempre foram encontros registrados por instrumentos analógicos fotográficos (antes da era digital) como aconteceu na noite em que conheci o saxofonista Lou Marini, integrante original da Blues Brother’s Band – ao lado de Dan Aycroyd e John Beluchi. Lou também era convidado eventual para engrossar o caldo em apresentações de grupos como Blood, Sweat and Tears ou Frank Zappa, com quem tocou em 1977 no álbum Zappa in New York.
Fui apresentado a Lou num bar na rua 58, west, 1997, quando comemorava-se com uma jam (sensacional) o aniversário de um pianista (esqueci o nome), batendo na casa dos 6 ponto 6. Chovia muito lá fora e isso parecia contribuir para o bom clima dentro do bar – motivado pelo aconchego e, de certa forma, pela segurança. Foi mesmo uma carraspana generalizada.

Mesmo não sendo fanático de carteirinha por blues (como o Carlão e o Frejat, que sabem tudo), eu guardava nítido na memória a entrada em cena de Lou no filme original d’Os irmãos cara-de-pau: ele era o chapeiro da lanchonete de Aretha Franklin no momento em que os brothers aparecem para convencê-la a participar do tal show beneficente – tema central do filme. Os dois dispensam os aventais e se incorporam a banda. O resto a gente já sabe: um espetacular show de Ray Charles, Cab Calloway, James Brown e um fabuloso elenco de atores e músicos.

(Merece referência especial o autor da foto: meu amigo Stu Deutsch, natural do Wisconsin e ligado ao cinema como técnico de captação de som ambiente em filmes de Spike Lee, Babenco, Tizuka Yamazaki, José Joffily e Bruno Barreto. Foi ele quem me apresentou ao Lou.).

Toninho Vaz

3 comentários:

Toninho Vaz disse...

Quem conhece o Paulão Porcelana, de Curitiba, vai achar que estou de brincadeira, pois a semelhança é grande. Apenas parece.

vinícius alves disse...

Toninho,

essas memórias analógicas podem virar um bom livro. que tal, hein? pense nisso e receba o abração do vini.

Toninho Vaz disse...

Bem, o Vini é o editor da Bernuncia, de Floripa, na ilha do desterro... Aceito a idéia do livro, vamos ver o fôlego da série para ter a concretude...